Hoje não grito para que me ouçam
Hoje fico em silêncio para que me sintam...
Preciso de ti...Preciso da tua voz para me embalar nas noites vazias.
Anseio ouvir-te dizer: "quero-te..."embora a minha mente me grite que não o dirás...
Ainda assim... espero...desejo...sonho...Contigo e com o teu cheiro.
Com o teu sabor a mar.Com a tua voz deitada na palavra proibida de querer...
Estas mãos marcadas pelo teu toque, que agora escrevem, já não te acariciam... estes olhos, nos quais tu despertas-te um brilho já não te vêem... este coração que bate por ti nada sente e as vozes que ouves são 'fantasmas' que vieram embalar os meus sonhos e acordar os pesadelos, memórias outrora enterradas, esquecidas e abandonadas. Na boca trago um sabor salgado consequência de emoções desmedidas e irracionais...A minha alma, vazia, corre na tua direcção, em busca de conforto, de carinho, de amor...esta minha alma perdida, vagueia, perde-se no nada, na esperança que deixou de o ser. Se tu a visses, se a pudesses ver...Tenho saudades de mim, do que fui há muito, muito, tempo atrás...perdi a juventude, o amor próprio, o orgulho...perdi-me e não mais me encontrei...fui, o que nunca mais serei, dei o que jamais darei. Sorri num tempo bondoso, chorei numa vida madrasta e vim morrer nos teus braços, meu amor, nesses teus braços onde sempre foi criança...Agora abandonaste-me...para que me prometes-te que irias estar aqui ao meu lado SEMPRE? Se preciso de ti AGORA e não estás...Para que me chamas-te de anjo se agora perdi as minhas asas...para que disses-te que eu nunca iria ficar sozinho se a única companhia que tenho agora são as lágrimas e um reflexo num espelho que hoje já nada me diz...para que me agarras-te e abraças-te com tanta força? Para depois me largares tão subtilmente...se agora a única coisa que abraço é uma almofada molhada, recordações em forma de pesadelos que insistem em me relembrar todos os dias o que foi mas que já não é...largaste-me, deixaste-me cair...deixas de forma quase desumana que sofra sozinho que me auto-destrua aos poucos sem simplesmente me estenderes a tua mão...sem simplesmente me dares esse teu sorriso que me dá vida...Sim também percebo que para ti esta ausência do NÒS não esteja a ser fácil, só que és mais forte do que eu, aliás és mais TUDO do que eu se calhar é por isso que te admiro tanto...Mas, não percebes que simplesmente preciso de ti?,da tua presença junto de mim? Fiquei nesta dor que me consome, nesta tristeza infinita, nesta velhice prematura. Ai, se tu pudesses ver esta alma vazia, perdida no nada...se pudesses sentir, sentir o que já não sinto ou o que não ouso sentir, se pudesses vir ao meu encontro e eu te pudesse abraçar, beijar, amar. Eu ainda te amo, mas tu não sabes, ainda te beijo mas tu não vês, ainda te abraço todas as noites mas tu não sentes...E sabes o que nos separa? São as palavras...são as palavras...
Fábio Miguel Sampaio Couto 24 Novembro de 2009
